Sintomas de glaucoma: como identificar a tempo

O glaucoma é conhecido como o “ladrão silencioso da visão” por um motivo simples: na maioria dos casos, ele não dói e não incomoda, até já ter causado uma perda de campo visual que não tem volta. É uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, e o pior é que a maior parte das pessoas com glaucoma nem sabe que tem a doença.

A boa notícia é que, quando identificado a tempo, o glaucoma tem tratamento eficaz para controlar a progressão e preservar a visão que ainda resta. Por isso o diagnóstico precoce faz toda a diferença.

Sou a Dra. Louise Gonçalves, oftalmologista em Boa Vista, com fellowship em glaucoma pela Santa Casa de Belo Horizonte. Neste texto, explico quais sinais merecem atenção e quando vale buscar uma avaliação.

O que é o glaucoma?

O glaucoma é uma doença que danifica progressivamente o nervo óptico, geralmente associada a uma pressão intraocular elevada. Esse nervo é responsável por levar as informações visuais dos olhos até o cérebro, e o dano causado por ele costuma ser irreversível.

Existem diferentes tipos de glaucoma, mas o mais comum é o de ângulo aberto, que evolui de forma lenta e silenciosa ao longo dos anos.

Quais são os sintomas de glaucoma?

No tipo mais comum, o glaucoma de ângulo aberto, os sintomas praticamente não existem no início. A perda de visão começa pelas bordas do campo visual, de forma tão gradual que o cérebro compensa e a pessoa não percebe.

  • Perda gradual da visão periférica, quase sempre imperceptível no começo
  • Dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luz
  • Necessidade de trocar de óculos com frequência maior que o normal

Já em uma crise de glaucoma agudo, bem mais rara, os sintomas aparecem de repente e são intensos:

  • Dor ocular forte, muitas vezes acompanhada de dor de cabeça
  • Halos coloridos ao redor de luzes
  • Visão embaçada de forma súbita
  • Náusea e vômito

Essa crise é uma urgência oftalmológica e precisa de atendimento imediato. Mas a grande maioria dos casos de glaucoma não avisa assim, o que reforça a importância do exame de rotina.

Por que o glaucoma costuma passar despercebido?

O campo visual é amplo, e o cérebro é muito bom em preencher as lacunas que vão surgindo. Quando um olho começa a perder visão periférica, o outro olho compensa boa parte da perda, e a pessoa segue enxergando normalmente no dia a dia.

Isso significa que, quando o paciente finalmente percebe alguma diferença na visão, uma parcela importante do nervo óptico já pode estar comprometida. É por isso que o glaucoma raramente é descoberto pelo sintoma, e sim pelo exame.

Como é feito o diagnóstico de glaucoma?

O diagnóstico reúne alguns exames complementares: a medida da pressão intraocular (tonometria), a avaliação do nervo óptico no fundo de olho e a campimetria, que mapeia o campo visual e mostra se já existe alguma perda. Em muitos casos, a tomografia de coerência óptica (OCT) também ajuda a acompanhar a espessura das fibras do nervo óptico ao longo do tempo.

É esse conjunto de exames, e não um exame isolado, que permite fechar o diagnóstico com segurança e definir a conduta.

Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma?

Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver a doença:

  • Histórico de glaucoma na família
  • Idade acima de 40 anos
  • Diabetes
  • Miopia alta
  • Uso prolongado de corticoide, incluindo colírios
  • Pressão intraocular já elevada em exames anteriores

Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa vai desenvolver glaucoma, mas reforça a importância de manter o acompanhamento oftalmológico em dia.

O que você não deve fazer

O erro mais comum é esperar sentir algo para procurar o oftalmologista. Como o glaucoma costuma avançar sem sintomas, esperar o sinal de alerta pode significar buscar ajuda só depois que uma parte da visão já foi perdida de forma permanente.

Outro ponto de atenção: se o glaucoma já foi diagnosticado e o tratamento envolve colírios de uso contínuo, não interrompa nem espace as doses por conta própria, mesmo sentindo que a visão está bem. O controle da pressão intraocular precisa ser constante, e qualquer ajuste deve ser conversado com o oftalmologista.

Cuidar da visão é prevenir a tempo

O glaucoma não tem cura, mas tem controle. Com diagnóstico precoce e acompanhamento regular, é possível frear a progressão da doença e preservar a visão que a pessoa ainda tem. O exame oftalmológico de rotina, mesmo sem sintoma nenhum, é a única forma confiável de flagrar o problema a tempo.

Agende sua consulta

Tem histórico de glaucoma na família ou faz tempo que não faz um exame de vista completo? Fale comigo e agende uma avaliação em Boa Vista.

AGENDAR CONSULTA


Escrito pela Dra. Louise Gonçalves · Oftalmologista · CRM-RR 1269 · RQE 926 · Fellowship em Glaucoma e Catarata pela Santa Casa de Belo Horizonte.

Sobre a autora

Dra. Louise Gonçalves, oftalmologista em Boa Vista há mais de 12 anos

Sou oftalmologista com título de especialista pelo CBO/AMB (CRM RR 1269 | RQE 926), com residência em Oftalmologia na Fundação Hilton Rocha e fellowship em glaucoma e catarata na Santa Casa de Belo Horizonte, incluindo casos congênitos.

Atendo em Boa Vista (RR) há mais de 12 anos, sou Coordenadora do Serviço de Oftalmologia do Hospital Geral de Roraima desde 2013 e escrevo aqui para compartilhar informação confiável sobre saúde ocular, do exame de rotina da criança à cirurgia de catarata do adulto.

Conteúdo

Artigos relacionados

Sintomas de glaucoma: como identificar a tempo

O glaucoma raramente dói ou avisa antes de comprometer a visão. Entenda quais sinais merecem atenção, quem tem mais risco e por que o exame de rotina é a...

Continuar leitura
Onde me encontrar

Atendimento na NEO, em Boa Vista

Atendo na NEO, na Av. Benjamin Constant, 988, Centro de Boa Vista. O agendamento é feito diretamente pelo WhatsApp, com atendimento particular e por convênio.