“Meu filho não reclama de nada, será que já precisa ir ao oftalmologista?” Essa é uma das dúvidas mais comuns entre os pais — e a resposta costuma surpreender. Diferente do que muita gente pensa, a primeira consulta oftalmológica não deve esperar a criança se queixar de dificuldade para enxergar.
Isso acontece porque o sistema visual está em desenvolvimento nos primeiros anos de vida, e boa parte dos problemas oftalmológicos da infância não causa sintomas claros. A criança simplesmente não tem como comparar sua visão com a de quem enxerga bem, e por isso raramente reclama.
Sou a Dra. Louise Gonçalves, oftalmologista em Boa Vista, com atuação em oftalmopediatria. Neste texto, explico quando levar a criança à primeira consulta e com que frequência repetir os exames depois.
Qual a idade ideal para a primeira consulta?
O acompanhamento visual começa ainda na maternidade, com o teste do olhinho. A partir daí, o calendário de avaliações costuma seguir marcos importantes do desenvolvimento infantil:
- Ao nascer: teste do olhinho, na maternidade
- Por volta de 6 meses a 1 ano: primeira avaliação oftalmológica completa
- Antes da alfabetização, entre 3 e 5 anos: nova avaliação, fundamental antes de a criança começar a ler e escrever
- Depois disso: consultas anuais, ou conforme orientação do oftalmologista
Esse calendário pode ser antecipado sempre que houver sinais de alerta ou histórico familiar de problemas oculares, mesmo antes das idades de referência.
Por que não esperar a criança reclamar?
Uma criança que enxerga embaçado desde sempre não sabe que existe outra forma de ver o mundo — para ela, aquilo é o normal. Por isso, sinais de problema visual costumam aparecer no comportamento, não em queixas diretas: aproximar-se muito de livros e telas, esfregar os olhos, ter dificuldade de concentração ou desempenho escolar abaixo do esperado.
Além disso, alguns problemas, como a ambliopia (olho preguiçoso) e o estrabismo, têm uma janela de tratamento mais eficaz nos primeiros anos de vida. Quanto mais tarde são identificados, mais difícil fica reverter o quadro.
Como é a consulta com uma criança pequena?
A avaliação é adaptada à idade. Em bebês e crianças que ainda não sabem ler as letras do quadro de teste, existem tabelas com figuras e símbolos, além de exames objetivos que medem o grau sem depender da resposta verbal da criança.
É necessário usar um colírio para dilatar a pupila e relaxar o foco do olho, o que permite medir o grau real da criança com mais precisão. O efeito do colírio passa em algumas horas e não traz riscos ao pequeno paciente.
Quando antecipar a consulta?
Vale procurar avaliação antes do calendário habitual quando:
- Há histórico familiar de miopia alta, glaucoma, catarata ou estrabismo
- A criança nasceu prematura
- Você notou os olhos desalinhados após os primeiros meses de vida
- Existem sinais comportamentais, como aproximação excessiva de telas ou dor de cabeça
- O teste do olhinho veio alterado
O que você não deve fazer
Não espere a escola avisar que a criança não enxerga o quadro para agendar a primeira consulta — nessa altura, o problema já pode estar afetando o aprendizado há meses. Também evite considerar apenas o teste do olhinho como suficiente: ele detecta alterações graves ao nascer, mas não substitui a avaliação completa de grau feita depois, com colírio e exame de refração.
Evite também pular as consultas de retorno anuais só porque a criança parece enxergar bem no dia a dia — muitas alterações só são percebidas em exame, não a olho nu.
Cuidar cedo é o que garante o melhor resultado
A visão da criança se desenvolve nos primeiros anos de vida, e é justamente essa janela que torna o acompanhamento oftalmológico precoce tão importante. Levar seu filho ao oftalmologista antes mesmo de qualquer queixa é uma forma simples de proteger o desenvolvimento visual e o desempenho escolar dele no futuro.
Agende sua consulta
Seu filho ainda não passou pela primeira consulta oftalmológica ou está na idade de repetir a avaliação de rotina? Fale comigo e agende uma consulta em Boa Vista.
Escrito por Dra. Louise Gonçalves · Oftalmologista · CRM-RR 1269 · RQE 926 · Especialista pelo CBO/AMB, com fellowship em glaucoma e catarata pela Santa Casa de Belo Horizonte.

