Ao pesquisar sobre cirurgia de catarata, é comum esbarrar em um termo que gera bastante dúvida: lentes premium. Elas custam mais do que a lente convencional coberta pelo convênio, e a pergunta natural é se realmente valem o investimento — ou se são apenas um upgrade dispensável.
A resposta depende do que você espera da sua visão depois da cirurgia. A lente intraocular implantada na cirurgia de catarata é definitiva, então entender as diferenças entre os tipos disponíveis antes do procedimento é importante para não ter surpresas depois.
Sou a Dra. Louise Gonçalves, oftalmologista em Boa Vista, com fellowship em glaucoma e catarata pela Santa Casa de Belo Horizonte. Neste texto, explico a diferença entre os tipos de lente e como decidir qual faz sentido para o seu caso.
Por que a cirurgia de catarata precisa de uma lente?
Na cirurgia, o cristalino opaco é removido e substituído por uma lente intraocular artificial, que passa a fazer o papel de foco do olho para o resto da vida. A escolha dessa lente é uma das decisões mais importantes de todo o processo, já que ela é responsável por boa parte da qualidade da visão pós-operatória.
Qual a diferença entre lente convencional e lente premium?
A lente convencional, chamada monofocal, corrige a visão para uma única distância — geralmente a visão de longe. Isso significa que, mesmo depois da cirurgia, o paciente costuma continuar precisando de óculos para enxergar de perto, como ler ou usar o celular.
As lentes premium reúnem tecnologias que ampliam essa correção, como:
- Lentes tóricas: corrigem também o astigmatismo, reduzindo a dependência de óculos para longe
- Lentes multifocais ou de foco estendido: permitem enxergar bem em mais de uma distância, longe, intermediário e perto.
O objetivo dessas lentes é reduzir a necessidade de óculos no dia a dia após a cirurgia, mas isso não significa independência total em todos os casos — cada tecnologia tem suas indicações e limitações.
A lente premium é indicada para todo mundo?
Não. A escolha da lente ideal depende de uma avaliação individual, que leva em conta a saúde geral do olho, a presença de outras condições — como glaucoma —, o estilo de vida e as expectativas de cada paciente em relação à visão pós-cirurgia.
Nem todos os olhos são bons candidatos a todos os tipos de lentes intraoculares. Alterações na córnea, na retina, no nervo óptico ou outras condições oculares podem influenciar a indicação e o resultado visual. Por isso, mais do que escolher a lente com maior tecnologia, o objetivo é selecionar aquela que oferece o melhor equilíbrio entre qualidade de visão, segurança e independência dos óculos para cada paciente.
Como é definida a lente antes da cirurgia?
Antes do procedimento, são feitas medições detalhadas do olho, incluindo o formato da córnea e o comprimento do globo ocular, para calcular o grau exato da lente que será implantada. É também nessa etapa que se conversa sobre expectativas, rotina e qual tipo de lente melhor se encaixa no seu caso.
O que você não deve fazer
Não escolha a lente apenas pelo preço ou por indicação de terceiros — cada olho tem características próprias, e a lente ideal para o vizinho pode não ser a mais adequada para o seu caso. Também não espere resultado idêntico ao de outra pessoa: o resultado varia, e é papel do oftalmologista alinhar expectativas realistas antes da cirurgia.
Evite decidir sobre a lente sem antes passar pelos exames detalhados do olho — algumas condições podem contraindicar determinados tipos de lente premium, e isso só é identificado em avaliação individual.
Uma decisão que vale conversar com calma
A lente intraocular acompanha o paciente pelo resto da vida, então vale a pena entender bem as opções antes de decidir. Não existe lente “melhor” de forma universal — existe a lente mais alinhada com a sua rotina, a saúde do seu olho e o resultado que você espera da cirurgia.
Escrito por Dra. Louise Gonçalves · Oftalmologista · CRM-RR 1269 · RQE 926 · Especialista pelo CBO/AMB, com fellowship em glaucoma e catarata pela Santa Casa de Belo Horizonte.

