A visão embaçada, como se enxergasse através de um vidro fosco. Cores mais apagadas. Dificuldade para dirigir à noite, por causa do brilho excessivo dos faróis. Esses são sinais clássicos de catarata, uma das condições oftalmológicas mais comuns depois dos 60 anos — e também uma das mais tratáveis.
A pergunta que mais ouço no consultório é: catarata tem cura? A resposta curta é sim — mas não com colírio, óculos ou remédio. O único tratamento eficaz para a catarata é a cirurgia, e ela costuma devolver a qualidade da visão de forma bastante satisfatória.
Sou a Dra. Louise Gonçalves, oftalmologista em Boa Vista, com fellowship em glaucoma e catarata pela Santa Casa de Belo Horizonte. Neste texto, explico o que é a catarata, como funciona a cirurgia e quando ela é indicada.
O que é a catarata?
A catarata é a perda de transparência do cristalino, a lente natural do olho responsável por focar a luz na retina. Com o tempo, essa lente vai ficando opaca e amarelada, o que dificulta a passagem da luz e deixa a visão progressivamente embaçada.
Na maioria dos casos, ela está relacionada ao envelhecimento natural do olho, mas também pode ter outras causas, como trauma ocular, uso prolongado de corticoides, diabetes ou até estar presente desde o nascimento, nos casos de catarata congênita.
Quais são os sintomas de catarata?
A evolução costuma ser lenta e gradual, o que faz muita gente demorar a perceber. Os sinais mais comuns são:
- Visão embaçada ou “enevoada”
- Sensibilidade maior à luz, especialmente à noite
- Halos ao redor de luzes e faróis de carro
- Cores mais opacas ou amareladas
- Necessidade frequente de trocar o grau dos óculos
- Dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luz
Como a progressão é gradual, muitos pacientes só percebem a diferença quando comparam a visão de um olho com a do outro, ou quando um exame de rotina identifica o problema.
Como funciona a cirurgia de catarata?
A cirurgia consiste em remover o cristalino opaco e substituí-lo por uma lente intraocular artificial, transparente e permanente. É um procedimento consolidado, geralmente rápido, feito com anestesia local e sem necessidade de internação.
Hoje existem diferentes tipos de lentes intraoculares, incluindo as chamadas lentes premium, que podem reduzir a dependência de óculos após a cirurgia. A indicação da lente ideal é individual e depende do estilo de vida e das características do olho de cada paciente, discutida em consulta antes do procedimento.
Quando a cirurgia é indicada?
Não existe um grau “certo” de catarata para operar. A indicação é feita quando a visão embaçada já atrapalha as atividades do dia a dia — ler, dirigir, reconhecer rostos — ou quando a catarata compromete a avaliação e o tratamento de outras condições do olho, como o glaucoma.
Em bebês e crianças com catarata congênita, a cirurgia costuma ser indicada mais cedo, para não comprometer o desenvolvimento visual.
Quando procurar um oftalmologista?
Vale agendar uma avaliação quando:
- A visão embaçada está atrapalhando tarefas simples do dia a dia
- Você percebe halos ou dificuldade para dirigir à noite
- Está trocando o grau dos óculos com frequência
- Já recebeu o diagnóstico de catarata e quer discutir as opções de lente e cirurgia
O que você não deve fazer
Não existe colírio, vitamina ou exercício ocular que reverta a catarata — desconfie de qualquer produto que prometa isso. Adiar a cirurgia indefinidamente também não é o caminho mais seguro: em estágios muito avançados, a catarata pode ficar mais difícil de operar e aumentar o risco de complicações.
O ideal é discutir o momento certo da cirurgia com o oftalmologista, considerando como a visão está impactando sua rotina — não apenas o resultado de um exame isolado.
Uma condição comum, com tratamento consolidado
A catarata faz parte do envelhecimento natural do olho na maioria dos casos, e hoje existe um caminho claro e bem estabelecido para tratá-la. O primeiro passo é uma avaliação completa, que vai dizer se já é hora de operar ou se ainda cabe acompanhamento.
Escrito por Dra. Louise Gonçalves · Oftalmologista · CRM-RR 1269 · RQE 926 · Especialista pelo CBO/AMB, com fellowship em glaucoma e catarata pela Santa Casa de Belo Horizonte.

